segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O PROJETO

PROBLEMÁTICA

O contexto social em que vivemos demanda levantar novas discussões acerca dos padrões sociais e ideológicos impostos que modelam o cotidiano para atender às vontades da sociedade hegemônica, condicionados através do espaço-tempo pela desvalorização do continente africano em detrimento do continente europeu.
Nesse sentido, vamos contribuir para a formação de seres críticos e atuantes diante da realidade vivenciada, a partir do processo contínuo de ressignificação da identidade e de todo um processo sócio-hostórico-cultural complexo de formação social.

JUSTIFICATIVA
A construção da identidade brasileira passa pelo reconhecimento dos povos e da cultura africana. Neste sentido, é preciso conhecer e buscar as origens e influências de um povo na construção sócio-espacial do Brasil para que se possam entender as contradições históricas presentes na sociedade brasileira e mundial.
Tendo em vista a sanção da lei 10.639 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino, entende se que a educação é a forma mais fácil de reduzir com as desigualdades raciais no Brasil. Levando em consideração o alto grau de influência que a África e seus povos exerceram, mostra-se de grande pertinência que os brasileiros, durante sua vida escolar, sejam apresentados a esses temas a fim de despertar uma visão crítica e desmistificadora a cerca da história criada pelos colonizadores europeus a respeito dos seus ancestrais e de si mesmo.
Dessa forma, (Carril. 2006) demonstra que “O papel do negro na sociedade brasileira será compreendido, não apenas pela participação do mesmo na construção da riqueza comum, mas como contestador desse tipo de riqueza, da qual ele foi sistematicamente excluído”.
Assim, por meio da análise geográfica do espaço poderemos fortalecer os territórios de resistência negra, frente aos poderes hegemônicos que continuam perpetuando a segregação sócio-espacial por meio das relações capitalistas inseridas no espaço geográfico.

REVISÃO TEÓRICA

Conhecer a África é buscar as origens, influências e verdades de um povo que procura resgatar seu lugar no mundo. A história da África foi a todo o momento desqualificada por mitos e visões estereotipadas contra seus povos e sua cultura. Diante da realidade vivida no continente africano, se faz necessário emergir a verdadeira história. Não para a supervalorização, o que seria também o mesmo processo de manipulação, mas para desconstruir as visões distorcidas as quais estão impregnadas na consciência desses.

Como vimos, todas as construções elaboradas sobre África nunca se distanciaram da ambição de dominá-la nem de configurá-la como contraponto de Europa que se arrogava um papel dominante. Ademais, para se submeter o que quer que seja é necessário, antes de tudo, a iniciativa concretizar-se em nível do imaginário, preferivelmente de modo a distorcer a compreensão do outro, habilitando, desse modo, a irrupção de uma ideologia de dominação. (SERRANO; WALDMAN, 2007.p.33-34)

Já não se pode pensar a África simplesmente como sinônimo de pobreza, miséria e fome. Atrelar uma visão a certo lugar e fazer dela verdade absoluta é deixar-se levar por um discurso irreal o qual não merece notável atenção. Então, a partir desses discursos, vimos que o negro sempre esteve à margem da sociedade, mas segundo Carril,
“(...) a formação social do negro brasileiro, instituída no processo de escravidão, manteve-se sendo parte contínua das bases de produção e de reprodução de capital na agricultura e, mais tarde, no espaço urbano”. . (CARRIL, 2006.p.54)

E hoje, graças às contribuições culturais, religiosas, econômicas, sociais, políticas e das formas de resistência conseguimos avançar nas conquistas de direitos essenciais a sociedade brasileira.
Desta forma, a Geografia precisa rever inserir e/ou ampliar seu campo de conhecimento permitindo assim que a estrutura educacional permita e dê visibilidade para os grupos sociais, minorias e marginalizados da construção do espaço brasileiro.

OBJETIVOS

Geral

Despertar a partir dos estudos geográficos a valorização da cosmovisão africana, os modos de vida próprios que foram desenvolvidos pelos povos africanos, a fim de desmistificar a partir de uma leitura crítica a visão eurocêntrica construída ao longo da história, com objetivo de desenvolver um novo olhar sobre a África.

Específicos

• Conhecer a importância do legado africano como berço histórico social da humanidade;
• Apresentar as relações comerciais (antes mesmo da colonização) entre africanos e outros povos/ árabes e europeus;
• Entender como se deu a colonização e a divisão do território africano relacionando seus problemas e conflitos;
• Analisar como o conceito de raça foi usado como instrumento de dominação social;
• Entender como as representações espaciais definem nossas origens a partir das contradições históricas da sociedade brasileira;
• Reconhecer heranças biológicas e culturais que foram deixadas pelos antepassados africanos;
• Discutir as políticas afirmativas do Brasil e seus prós e contras.


PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para o desenvolvimento das atividades serão realizadas aulas expositivas dialógicas, subsidiadas por textos, charges, mapas e recursos áudio-visuais que contribuirão para a contextualização das temáticas e incentivo à participação.
No decorrer dos encontros, faremos a articulação entre teoria e prática através da sua vivência, para que os mesmos possam perceber a relevância do tema no âmbito da formação da sociedade. Instigaremos a participação dos alunos nas discussões das temáticas e no desenvolvimento das atividades propostas, esclarecendo as possíveis dúvidas e questionamentos, contribuindo assim para a incorporação dos temas como parte constituidora da formação individual e coletiva da sociedade brasileira.

CONTEÚDOS
Introdução Geral
Aspectos físicos
Aspectos Sócio-econômicos
Aspectos Culturais

Os primeiros homens e as formas de organização social
O surgimento do homem
Os primeiros reinos
A escravidão no continente africano

Relações comerciais e ocupação do território
Relação comercial com os árabes
Conferência de Berlin
A partilha
Conflitos étnicos
Configuração territorial antes e depois da partilha

Segregação Racial
O conceito de raça e o seu uso como instrumento de dominação
Apartheid
Independência dos países africanos

Formação sócio-espacial do Brasil
Diáspora
Espaços de resistência – Quilombo e favela
Religião
Cultura
Identidade

Políticas afirmativas
Cotas
Lei n°10.639 – Obrigatoriedade do ensino de história e da cultura afro-brasileira
Decreto nº 4.886 - Política nacional de promoção da igualdade racial

PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS
No primeiro dia de aplicação do mini-curso faremos um levantamento do conhecimento prévio dos alunos acerca dos conteúdos a serem trabalhados para constatar o nível de percepção, elucidando os objetivos que pretendemos alcançar para a promoção do conhecimento dos participantes. No decorrer do curso adotaremos o método processual e contínuo de avaliação, através de questionamentos e socializações do aprendizado.
Ao final do mini-curso, avaliaremos o grau de aprendizado através da construção de um painel com palavras e imagens o qual revelará se os objetivos esperados foram ou não alcançados. Além de uma produção textual auto-avaliativa.

REFERÊNCIAS
CAMPOS, Andrelino. Do quilombo à favela: a produção do espaço “criminalizado” no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

CARRIL, Lourdes. Quilombo, Favela, e Periferias: a longa busca da cidadania. São Paulo: Annablume; FAPESP, 2006.

SANTOS, Renato Emerson. (org) Diversidade, espaço e relações sociais: O negro na geografia do Brasil. Belo Horizonte: Autentica 2007.

SERRANO, Carlos; WALDMAN, Maurício. Memória da D’África: a temática africana em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2007.

Um comentário:

  1. OLÁ PESSOAL,

    FINALMENTE CONCLUIMOS O LAYOUT.
    ESPERO QUE VOCÊS TENHAM GOSTADO.

    ABRAÇO A TODOS!

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